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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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PERFIL

Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Quanta lameira, guajira, quanta lameira


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 31/03/11 às 17:26 na(s) categoria(s) dicas, historias de corrida, provas
Sábado foi dia de...subir morro! Quem fez a edição Paranapiacaba do circuito de Corridas de Montanha pode confirmar: tinha lameira para todo mundo. Mas vamos primeiro entrar no clima. Fecha os olhos e visualiza: sabadão meiodia, sol quente a pino em Sampa, você arruma sua mochilinha com roupas secas pós-prova, algo para comer antes e depois, um gel para durante, uns trocadinhos e muita animação.

Já devidamente paramentada - meu querido chuteira nos pés (para saber o que é o chuteira leia esse review AQUI), shorts, camiseta, relógio - fui encontrar o povo. Sim, porque ultimamente eu ando passando qualquer prova onde não vá uma galera junto. Nããããoooo, não é porque eu goste de uma panelinha, é que o antes e o depois quando você vai de turma são muito, mas muito mais divertidos.

Ter gente para ficar comentando a prova a exaustão na volta não tem preço. Experimenta fazer isso com sua respectiva cara metade ou mãe/pai/irmão/amigo/amiga que NÃO corre e veja o mar de tédio inundando os olhos da pessoa enquanto você se entusiasma contando que no Km 5 tinha mais um rio e aí você foi e... Meia hora depois você ainda está falando da hora em que tomou o seu gel e o pobre ser ouvinte já está com fazendo cara de janelas windows passando, sonhando com a hora em que finalmente você vai chegar ao fim da narrativa. Poupem seus entes queridos, pessoas, comentem as provas em detalhes só com quem corre ou adora corrida. Ou vá correr com os amigos e comente com eles mesmos se reidratando no bar da esquina.

Voltando ao sabadão de sol, fomos nós em 4 carros estilinho comboio para Paranapiacaba. Na medida em que vc avança, a neblina vai se adensando, até um momento em que você se sente em pleno fog londrino. Depois de muita rotatória, viradinha, saidinha e pistas estreitas, chega o pulo do gato. Se vc está com alguém como a Ari, que sabe os caminhos e atalhos para chegar literalmente dentro da pracinha onde é a largada, vc está bem na fita. Se não, o pior cenário é parar um pouco antes e ter que atravessar o trilho do trem a pé para chegar até a largada.

como dessa vez chegamos bem cedo para garantir, foi assim quase que como ir a um daqueles eventos com o Amaury Jr: você vai andando, sorrindo, circulando e conversando um pouquinho com um monte de gente. A diferença é que, ao invés de vestidos Dolce & Gabanna as pessoas usavam tênis, camisetas e mil acessórios divertidos tipo bandanas, relógios que falam com você, meias de compressão e luvinhas. Luvinhas? É, depois eu explico. Aliás, foi ali que conheci o Shigueo, amigo-blogueiro-corredor (deste blog AQUI) que tinha vindo conhecer a prova e fazer a despedida do par de tênis que ele escolheu para correr --vou te contar, vc foi corajoso de entrar naquela lameira com aquele tênis pneu-careca-style, colega Satrijoe.



Paranapiacaba é um lugar fofo onde sempre tem uma charmosa neblina de montanha e muitos trens. Dessa vez o centrinho se preparou melhor e tinha desde almoção self service para quem não liga de bater um pratão de comida antes de correr (e tem bastante gente estranha assim) até um café simpático que servia desde pão de queijo até bolo caseiro. Ah sim, e se vc é como eu, um cafezinho puro sem açúcar antes da prova.  

Eramos em pouco mais de 10 pessoas, tanto com gente que voa na trilha como com pessoas que estavam literalmente estreando nas provas de corrida. Na hora da largada, as 16h, aquele embaço básico enquanto todo mundo se espreme na muvuca. O pessoal da organização falou bastante sobre alguma coisa ao microfone, acredito que era importante e tinha a melhor das intenções, mas tenho que confessar que não ouvi uma palavra. Não por mal, mas porque dali da largada simplesmente não dava para escutar o que o moço dizia. A boca dele mexia, dava para ouvir algum som, mas entender que é bom, nadica de nada. Quem ouviu por favor me conta!

E aí, foooooooooooooooooooonnn!!! Largou! São 12K, entao o negócio é fazer força. Porque essa prova tem subidas e não são poucas. Tem muita single track e uns 4 riozinhos para passar. Esse ano as águas tinham subido e teve uns trechos onde chegou tipo logo abaixo do peito --mas como eu tenho 1,60m não é nada que vc deva se preocupar, certo? Atravessar rio, nessa prova, é assim: em uns 3 lugares vc pula do barranquinho para dentro do rio, dá uma meia dúzia de passadas e pula barranquinho acima na outra margem. Em outros lugares você tem que correr um tempinho dentro do rio mesmo, aliás, subindo o rio.

Aqui posso orgulhosamente relatar que minha corrida dentro de rios melhorou horrores, saindo de inexistente para um avanço até que eficiente. Não rápido, mas eficiente. Nada como treinar para os 50K da NorthFace e para o Cruce, não é mesmo? Tantos picos do Jaraguá, e pirambas em Atibaia tinham que servir para alguma coisa mais, certo?

Passei pisando firme no meio da lameira -que uma pessoa assustada atrás de mim cogitou ser areia movediça, o que dá uma idéia do estado da lama- correndo mesmo com os pés submersos na gosma marrom até o tornozelo. E o Speedcross fez bonito de novo, o bichinho gruda na terra e vc NÂO ESCORREGA. Ultrapassei gente que era óbvio que corria mais que eu --só porque a pessoa estava de tênis que escorregava muito e eu lá, toda faceira com o chuteira. Fora que tênis de trilha é uma maravilha: pode estar enlameado até as tampas que vc entra com ele na água e ele sai zero bala, levinho, não fica resquício nenhum de lama.

E aí vc entendia porque tinha um povo de luvinha. Para segurar nas pedras na hora de subir, porque realmente tinha vários pontos onde precisava fazer uma subida mais agressiva, tipo a última saída de dentro do último rio. Eu, pessoalmente, to fora de luvinha, para mim é meio over --mas se funcionou para as pessoas, dou o maior apoio para elas.

No fim da prova o tempo ainda abriu, e o fog cedeu espaço para um solzito, deixando visual da serra ainda mais bonito. Como vc termina a prova numa descida, dá para se empolgar bastante e acelerar TUDO. Para mim rolou uma endorfinada e eu terminei feliz, com o povo que chegou antes de mim (as amigas que voam nas trilhas) fazendo o maior festa. Acreditem ou não, melhorei meu tempo em uns 10 minutos, algo que não acontecia desde aquele começo de corrida (vulgo primeiros 3 a 6 meses), onde você vai melhorando seu tempo em muito minutos e não como hoje, onde baixar segundos é uma dificuldade ENORME.

Pós prova, fiz meu lanchinho feliz --umas mini batatas cozidas + sandubinha de queijo cottage com pimenta calabreza e azeie que eu tinha trazido-- enquanto esperava o resto do povo na chegada. Porque quando vc vai em grupo é assim: vc fica ali plantado na chegada até a última pessoa do grupo terminar, e grita pula e comemora a chegada de cada um, na maior festa. Quanto todo mundo dos 12k e 6K chegou, ficamos ali sassaricando no centrinho até todos trocarem de roupa --ah sim, não esqueça de levar saco plástico para as roupas quanta lameira da prova.

Cheguei em casa no final da tarde, acabada e feliz. Só para dormir e, no dia seguinte as 7h15, mudar de estação e começar um workshop intensivão de 1 semana de ashtanga yoga. É duro mas é bom, sabe como é? Da lama para o mat :-)

Ah sim, e desculpem o trocadilho infame do título. É que quando eu era uma corredora zen mirim eu ouvia o cara cantando Guantanamera, guajira, guantanameeeeira e achava que ele, na verdade, cantava "quanta lameeeeeeira, guajira, quanta lameeeeeiraaaa". Acharam bizarro? Pois a minha irmã, tipo 6 anos mais nova, tinha certeza que o certo era "quanta cadeeeeeeira, guajira, quanta cadeeeeeira".

Até hoje acho nossas versões de músicas muito melhores do que as originais.
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