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São Paulo, SP

Corredora Zen :-)

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Histórias de corrida, yoga, alimentação, produtos e provas. Para mim, corrida é um tipo de meditação e escrever um tipo de diversão. Muito prazer, eu sou a Natalia Yudenitsch, mas pode me chamar de Nat. Se quiser, fala comigo no corredorazen@gmail.com

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Consciência corporal - como vai a sua?


Publicado por NATALIA YUDENITSCH em 19/01/12 às 16:25 na(s) categoria(s) dicas, historias de corrida, saude
Pessoas, faltam menos de 15 dias para o Cruce (Cruce de los Andes, aquela prova LINDA onde você passa 3 dias atravessando a patagônia do Chile para a Argentina, que eu fiz em 2010 e contei tudo sobre, a começar DAQUI). Quando uma prova desse porte vem chegando, minha tendência é ficar super atenta aos míííííínimos detalhes, principalmente no que diz respeito ao meu corpo.

Porque tão pertinho de uma prova onde você vai subir quase 2 mil metros só no 1º dia, se machucar ou não estar 100% fisicamente não parece uma boa idéia né? Como cada um manifesta a ansiedade do jeito que pode, eu que fico zen com questões como mala, mochila e esquecimentos ridículos comuns em viagens, aumento minha consciência corporal uns 3 níveis acima nessa época.

Se isso é uma coisa boa ou não, há controvérsias. Quero dizer, consciência, em minha singela opinião, é sempre uma coisa boa. Já você ter uma tendência control freak em relação a ela, nem tanto. Mas o que eu quero dizer com esse termo tão tecnicamente zen?

Consciência corporal, literalmente, é você ter consciência do próprio corpo. É você se conhecer, saber como seu corpo age e reage e principalmente conseguir identificar em que momento seu corpo está a qualqer momento. Porque não adianta nada saber tudo de anatomia e fisiologia e não conseguir sacar quando você precisa descansar e quando está só com preguiça. Porque a princípio a sensação é bem parecida, parece uma lezeira master e pronto, só que em um caso é seu corpo sabiamente dizendo "pára um pouco senão vai dar m...." e no outro é um dos 7 pecados capitais e só.

Consciência corporal é o que te permite avaliar se essa dor é daquelas que andam --porque eu acredito que dor que anda normalmente tudo bem, é a dor que está sempre no mesmo lugar que costuma ser o problema-- ou daquelas que se você não cuidar JÁ vai virar uma lesão mais séria. É ela também que faz você entender como encaixar a passada perfeita (para você) na prática.

É essa mesma consciência que me faz sentir exatamente onde a corrida dá uma encurtada na minha musculatura e precisamente em quais ásanas (posturas) do yoga eu vou conseguir soltar este encurtamento. Sem ela eu nunca ia perceber que minha pisada mudou com o uso de tênis baixos e sem amortecimento, e que, como observou a Cris, eu tendo a curvar e forçar os ombros e o core quando vou ficando cansada no meio da corrida. Ou que as vezes falta um fortalecimento para conseguir fazer mais força nos tiros.

Ok então, já entendi, consciência corporal é essencial. Mas e aí, onde compra?

Porque a não ser que você seja uma desses seres iluminados, não se nasce com ela. A gente vem com os instintos certinhos, alguns com aptidões mais fortes, mas a consciência vem aos poucos, tipo em suaves prestações. E o melhor jeito de adquirí-la é se mexendo. E prestando atenção no próprio corpo em movimento.

No começo a gente faz as coisas sem pensar. Sei lá, saí correndo e deu certo! Fiz uma força não sei bem como e corri bem rápido! Tipo mágica. As coisas simplesmente acontecem e a gente não tem muito controle do como, nem sabe como repetir aquilo.

É a partir daí que começa a consciência. Se começar a prestar atenção, vai ficando claro. Observando os outros e a si mesmo, treinando, repetindo movimentos, respirando, a gente vai entendo como nosso corpo funciona.

É só estar presente. Não adianta gravar uma corrida sua e analisar o vídeo depois se você não registrou nada enquanto corria. Não adianta o treinador te corrigir se você não sentir o que está fazendo errado. Tem que perceber DURANTE a corrida. Não é uma análise racional e lógica, é mais como ficar atendo ao trânsito, ou as pedras e galhos numa trilha: você precisa perceber, ver que aquilo existe, está lá, reagir de forma apropriada e pronto, não precisa analisar.

Mas claro que perto de provas onde tem palavras como NEVE, 2 MIL METROS DE ALTITUDE, MONTANHA, COBERTOR DE EMERGENCIA e MUY DURO a tendência é ficar procurando pelo em ovo. Tipo "nossa, que cansaço é esse? melhor parar com a musculação". Ou "que dor nova é essa nesse osso esquisito do pé que só eu tenho?".  Aí a solução é apelar para a Naomi e suas agulhas acupunturísticas, só para garantir uma última geral antes de ir pra montanha. E estar presente a cada passada.

Até porque eu preciso lembrar de tudo bem certinho para contar para vocês aqui!


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