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Cardiologia

Como é o coração de Atleta?


Por Dr. Nabil Ghorayeb | 01/01/2002 - Atualizada às 19:00

artigo atualizado em 23/01/09

Em fins do século XlX, observações científicas notaram que corações de animais selvagens eram maiores do que os corações dos animais da mesma raça, porém, domésticos (cachorro do mato x cachorro doméstico). A vida fisicamente mais ativa tornava o coração maior. Na primeira olimpíada moderna em fins de século XIX (1896), um médico europeu constatou que atletas de esqui de montanha na neve tinham corações maiores do que os não atletas.

Mesmo com a medicina evoluindo rapidamente, apenas nos últimos anos começou a ser descrito o que era um coração de atleta e suas características fisiológicas. Ainda assim alguns detalhes causam dúvidas para muitos médicos que chegam a confundir essas alterações com doenças cardíacas.

Para melhor esclarecer temos:

1- Bradicardia (pulsação menor que 60 batimentos por minuto) é muito comum em atletas bem condicionados, principalmente na alta performance esportiva (triathlon, maratona etc);

2 - Cardiomegalia (crescimento cardíaco no tamanho e no peso) confunde com cardiopatia;

3 - Sopros cardíacos benignos ou funcionais;

4 - Alterações do eletrocardiograma, do raio-x do coração e do ecocardiograma. Freqüente nos atletas altamente treinados, porém, reversíveis quando abandonam os treinamentos e competições.

Diferenciar o que é fisiológico do patológico originou o setor da Medicina estruturado como Cardiologia do Exercício e do Esporte, onde se avalia e se investiga as alterações encontradas nos atletas. Portanto ter “Coração de Atleta” indica que ocorreram as adaptações do coração à atividade esportiva intensa, não significando doença atual ou futura.

Devemos realizar avaliações periódicas (anuais ou semestrais) para acompanhar a intensidade das alterações, que são benignas na maior parte das vezes. No entanto encontramos um certo número de atletas com cardiopatias, ao redor de 8%, e que na maioria se beneficiaram com tratamentos, inclusive cirúrgicos. Os afastados em definitivo foram muitos poucos e alguns dos que estão em acompanhamento cardiológico, participam de competições sem correr riscos.

Dr. Nabil Ghorayeb


Consultor Webrun sobre Cardiologia do Esporte. Especialista em Cardiologia e em Medicina do Esporte; Doutor em Cardiologia pela FMUSP. Também é chefe da Seção Médica de Cardiologia do Exercício e Esporte do Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia – (11) 5085-6228.

Coordenador Clínico do SPORT CHECK-UP HCor - Hospital do Coração - (11) 3053-6611. Além de coordenador do Serviço de Cardiologia do Instituto Runner de Ensino e Pesquisa (Academias RUNNER). O telefone do seu outro consultório clínico é (11) 2273-7311.

Ele também é autor dos livros de medicina: O Exercício (prêmio Jabutí); Tratado de Cardiologia do Exercício e do Esporte; Métodos Diagnósticos em Cardiologia, além do livro de orientações para leigos: Ninguém Morre de Véspera. Site: www.cardioesporte.com.br

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