Corredores se reuniram no quilômetro 14 para terminarem o treino juntos
Foto: Antônio Colucci/ Divulgação
Camiseta e medalha do treino no percurso antigo da São Silvestre
Foto: Antônio Colucci/ Divulgação
Na tarde de domingo (11/12), ocorreu em São Paulo o treino SS Cover, que percorreu os 15 quilômetros que caracterizaram a Corrida de São Silvestre de 1988 a 2010. Em 2011, a prova alterou o percurso, removeu os trechos tradicionais da Rua da Consolação e Elevado Costa e Silva (Minhocão), bem como mudou os trechos finais, da Avenida Brigadeiro Luís Antônio e Avenida Paulista.
Idealizado pelo corredor amador Antônio Colucci, o SS Cover surgiu em 2009, sem caráter de protesto. “Eu e um grupo de amigos fizemos um treino nos dias seguintes ao Natal de 2009, umas 30 pessoas, mais como treinamento e confraternização mesmo. Quando acabamos, combinamos de repetir em 2010”, conta.
Segundo o fundista, às vésperas do treino do ano seguinte a organização da prova divulgou a polêmica decisão de entregar as medalhas antes da Corrida. “Foi aí que, via redes sociais, o treino virou um protesto. Comprei medalhinhas de honra ao mérito para entregar aos participantes depois da corrida e tivemos quase 200 corredores que fizeram todo o percurso embaixo de chuva”, relembra.
Treino protesto - “Todo mundo que correu aprovou, então eu comecei a organizar um treino legal para 2011, com camiseta e medalha. Mas a organização foi lá e tirou a Paulista da chegada. Depois mudou o percurso inteiro. Pronto, virou protesto de novo”, brinca Colucci. “Apesar do caráter de contestação, ninguém levou faixa, camiseta ou ficou gritando. A gente só quer correr e ser bem tratado”, diz o corredor.
O organizador diz que o incômodo gerado pelo treino protesto deu ainda mais publicidade para o evento. “A Fundação Cásper Líbero foi criticar nosso protesto e a Yescom começou a falar mal pelo Twitter. Só aumentou a quantidade de pessoas querendo participar e mostrar que é contra as mudanças que foram feitas”.
Colucci procurou o apoio de empresas que toparam divulgar suas marcas contribuindo de alguma forma. Assim, conseguiu viabilizar as camisetas, prover água e isotônico aos corredores. “A contribuição financeira foi facultativa. Qualquer um pode participar”.
Todos juntos na chegada - A medalha da SS Cover de 2011 foi no formato de um chinelo do tamanho de um chaveiro, com o logo do treino. “Cada um deu o seu significado para o chinelo. Pegavam a medalha e falavam ‘já corri a São Silvestre neste ano, vou por meu chinelo e ficar em casa no dia 31’ ou entao ‘isso é para dar chinelada em quem maltrata a gente’, virou uma bincadeira”, diz Colucci.
Como era um treino e não uma prova oficial, o percurso não teve vias com trânsito bloqueado. “O treino foi à tarde, no horário da Corrida. A ideia era chegar todo mundo junto na Paulista, então largaram primeiro os mais lentos, depois de uns 40 minutos largou o pessoal mais rápido e todos se encontraram embaixo de um viaduto na Brigadeiro, faltando um quilômetro para a chegada. Dali até a Paulista subimos em um pelotão só, na faixa de ônibus”, relata.
“As 300 pessoas entraram na Paulista juntas, simplesmente correndo, sem bagunça. Foi muito legal”, define. Segundo Colucci, o número de participantes só não foi maior porque muitos corredores participaram da Sargento Gonzaguinha ou da Corrida Internacional de Guarulhos.
Caridade - Para ganhar a camiseta do SS Cover, o participante deveria contribuir com dois quilos de alimento, que serão doados para a instituição de caridade AEC Kauê, de Itaquera (Zona Leste de São Paulo). “Não contamos, mas recebemos perto de 500 quilos de alimentos”, conta Colucci.
A associação é conhecida pelo seu trabalho de incentivo à corrida para as crianças. “O Fran, que é o idealizador, pintou uma pista de atletismo na rua e as crianças do bairro aprenderam a correr lá”. Quem quiser conhecer a AEC Kauê pode obter mais informações em
www.aeckaue.com.br.