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Medicina

Lesão: você sabe o que é joelho do corredor?


Por Dr. Neto | 17/02/2009 - Atualizada às 10:56

Muitos corredores já foram acometidos pela síndrome da banda ou trato ílio-tibial (STIT), popularmente conhecida como joelho do corredor. Esta lesão envolve uma inflamação e a degeneração da faixa de tecido conectivo da parte lateral da coxa, que se estende desde a crista ilíaca no quadril (saliência do osso da bacia) até uma outra saliência óssea palpável, no lado externo da perna, logo abaixo do joelho, chamada de tubérculo de Gerdy.

Esta faixa de tecido conjuntivo, chamada de trato ílio-tibial é conectado a um músculo, o tensor da fáscia lata, que quando não é devidamente alongado ou fortalecido, pode sofrer essa lesão. Em seu trajeto até a inserção logo abaixo do joelho, o trato ílio-tibial passa justamente ao lado do osso da coxa, chamado de fêmur, um local onde existe uma saliência óssea, o côndilo femural. Com o desenvolvimento das passadas durante a corrida, num movimento cíclico e normalmente duradouro, este tendão sofre uma espécie de fricção sobre esta saliência do fêmur.

Essa fricção pode evoluir para um quadro de inflamação local e posteriormente poderá também haver o desgaste do tecido. Quando isso acontece o corredor passa a ter um inchaço (edema) no local, pode também sentir dor, crepitação e dificuldade para dobrar os joelhos a partir de certo ângulo de movimento.

Esta condição clínica é referida pelo corredor como uma dor que ocorre ao lado do joelho, sobretudo no desenvolvimento das passadas e até com um estalido audível no local, algo como um "click". Essa lesão normalmente melhora com repouso relativo e aplicações de gelo. Durante essa fase, a corrida não se torna impossível, porém, é bastante desconfortável.

Como esta lesão acomete geralmente os corredores, a literatura científica apelidou-a de "joelho do corredor". O diagnóstico é feito pelo médico com base na história clínica do paciente, ou seja, seu relato de sintomas no local, e através do exame físico, durante o qual o médico tenta mimetizar a dor referida pelo paciente durante o mesmo movimento de passada da corrida.

Exames de imagem, como o ultra-som, ou a ressonância magnética podem auxiliar no diagnóstico, mas não são imprescindíveis para o início do tratamento. A melhora do quadro está baseada no repouso relativo da articulação, através da diminuição da carga de uso do joelho, ou seja, menos quilômetros percorridos até o desaparecimento dos sintomas.

Além disso, é preciso fazer algumas seções de fisioterapia para a diminuição da dor (analgesia), seguida por um recondicionamento muscular muito criterioso. Este recondicionamento deve incluir o alongamento e o fortalecimento da musculatura lateral da coxa, que é composta pelos músculos abdutores, porém, eles geralmente são esquecidos nas sessões de alongamento e na musculação.

A medicação antiinflamatória é muito discutível, e sua eficiência já não é comprovada na fase crônica, além de causar efeitos colaterais graves que normalmente não justificam seu uso. O controle da dor também pode ser conseguido através de medicação analgésica apenas.

Dr. Neto


Consultor Webrun da seção Medicina Esportiva. É graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e também em cinesiologia, Magna Cum Laude pela Texas Christian University, nos Estados Unidos. Médico pós-graduado em Fisiologia do Exercício, especialista em Medicina do Esporte pela SBME e em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT. Atualmente trabalha no Instituto VITA (Higienópolis) em São Paulo. Site: www.doutorneto.med.br

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